Quando um casal chega até mim, quase sempre traz a última briga bem viva. Querem entender quem começou, quem exagerou, quem tem razão. É natural: a dor mais recente é a que mais dói, e é dela que se quer alívio primeiro.

Só que o meu trabalho começa num outro lugar. Porque aquela briga de ontem quase nunca nasceu ontem.

A raiz é sempre mais antiga do que parece

Ela tem raiz em coisas bem mais antigas do que o casal costuma imaginar: jeitos de amar que cada um herdou de casa, faltas que vêm de muito antes daquela relação, lugares onde cada um aprendeu, ainda criança, a se proteger de alguma forma de dor.

Por isso eu não fico na superfície do conflito — no "quem disse o quê" ou "quem exagerou na reação". Eu procuro entender de onde aquilo realmente vem. Qual ferida antiga foi tocada. Qual medo apareceu disfarçado de irritação. Qual necessidade não foi nomeada a tempo e virou grito, ou virou silêncio.

Por que olhar para a raiz muda tudo

Quando a gente enxerga a raiz, a briga de ontem para de se repetir amanhã. Não porque o casal aprendeu a discutir melhor sobre a louça, o dinheiro ou o horário de chegar em casa — mas porque entendeu que a louça, o dinheiro e o horário nunca foram, de fato, o assunto.

Esse é um trabalho que exige paciência dos dois lados. É mais fácil discutir sobre o episódio de ontem do que sobre a ferida de vinte anos atrás. Mas é só ali, na raiz, que mora a possibilidade real de mudança.

Se a pergunta ficou ecoando, talvez ela não seja para responder sozinha. É esse tipo de nó que a gente começa a desatar numa Sessão de Clareza. [Me escreva]