Meus pais completaram este ano 66 anos de casados.
E isso tem me feito pensar sobre o que realmente significa o famoso "felizes para sempre".
Cresci vendo minha mãe se dedicar à família sem nunca pedir nada pra si. Nunca me ocorreu questionar se ela era realizada, ou se havia deixado de fazer algo que um dia foi um sonho pra ela. Tudo me parecia no seu devido lugar quando eu era criança.
Éramos seis filhos, e me lembro de poucas vezes ter meu pai em casa, de férias ou celebrando momentos especiais a dois. Me lembro do silêncio nos almoços de domingo — não se falava muito enquanto fazíamos as refeições.
Porque 66 anos não são feitos só de amor. São feitos de fases.
Fases em que duas pessoas se encontram — e fases em que parecem não conseguir mais se alcançar. Parceria profunda e solidão dentro da própria relação. Momentos em que a comunicação flui, e momentos em que tudo vira defesa, silêncio ou desgaste.
Eu cresci achando que maturidade numa relação era a ausência de conflito. Não é. Amadurecer numa relação é aprender a atravessar os conflitos sem destruir o vínculo — e sem se destruir no caminho.
E foi olhando para eles que a pergunta mudou dentro de mim. Deixou de ser "como eu melhoro essa relação?" e virou: "que tipo de presença eu me tornei dentro das minhas relações?"
As pessoas que você ama sentem que podem descansar emocionalmente perto de você?
Seu filho sente que pode falhar sem perder o seu amor? Seu parceiro sente que pode ser verdadeiro sem precisar se defender o tempo inteiro?
Meus pais não viveram "felizes para sempre". Viveram todas as fases — inclusive as que ninguém posta. E 66 anos depois, o que existe entre eles não é a ausência de conflito. É a presença um do outro — da forma mais autêntica que foram capazes de construir.
Presença também se treina — e começa por se enxergar dentro das suas relações. Se quiser fazer esse treino acompanhada, é para isso que existe a Sessão de Clareza.Vamos conversar?
